Os movimentos coordenados para baixar o fogo sobre Haddad deram certo, mas não bastam


Lauro Jardim

Ontem, em Genebra, Lula falou elogiando Fernando Haddad ("Ele é extraordinário"). No Rio de Janeiro, Geraldo Alckmin elogiou o ministro. Haddad deu entrevista ao lado de Simone Tebet reforçando sua preocupação com os gastos e prometeu uma fazer revisão "ampla, geral e irrestrita" dessas despesas. Nada disso foi por acaso.

No Ministério da Fazenda, a avaliação é que os movimentos de ontem, todos coordenados, funcionaram para baixar o fogo sobre Haddad. Ou mais especificamente sobre a boataria de demissão do ministro da Fazenda — os boatos eram tanto sobre um pedido iminente de demissão quanto o de que ele seria rifado por Lula.

Não foi uma boa semana para Haddad mas ele não está prestes a cair. O mercado financeiro que anteontem estava nervoso — um pouco por vontade de especular, um outro tanto por desinformação e também por visível mau humor  com o governo Lula — baixou o tom. E, consequentemente, o dólar que bateu um recorde de alta anteontem, baixou. Caiu 0,73% ontem.

O que permanece intocado, contudo, é a falta de paciência do mercado financeiro e do empresariado com o Lula 3.

Assim como continua não respondida a pergunta: que cortes exatamente Lula aceita fazer nas despesas do governo?

Enquanto essa resposta de bilhões de reais não for dada, o céu sobre a cabeça de Haddad prosseguirá nublado.


O Globo

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